A cultura negra é rica, diversa e profundamente enraizada na história da humanidade. Ela carrega séculos de luta, resistência e criatividade, manifestando-se de diversas formas: na música, na dança, nos cabelos, na moda, na linguagem e em tantas outras expressões culturais. Contudo, a apropriação cultural surge como uma problemática que descaracteriza e desrespeita essas manifestações.
Apropriação cultural ocorre quando elementos de uma cultura marginalizada são adotados por grupos dominantes de forma descontextualizada, sem o devido reconhecimento ou respeito às suas origens e significados. No caso da cultura negra, isso tem se mostrado evidente em práticas como o uso de penteados afro, como tranças e dreadlocks, ou o consumo de músicas como rap e hip-hop, sem uma compreensão ou valorização da luta histórica por trás dessas expressões.
A questão central da apropriação não está apenas no uso, mas na forma como ele se dá. Enquanto pessoas negras são frequentemente discriminadas ou penalizadas por expressarem sua cultura, esses mesmos elementos são glamourizados e celebrados quando apropriados por outros grupos. Esse duplo padrão reforça desigualdades históricas e silencia a voz daqueles que originaram essas manifestações.
Para evitar a apropriação, é essencial entender a diferença entre apropriação e apreciação. A apreciação envolve respeito, reconhecimento e colaboração, sem apagar ou distorcer a história e o significado de uma cultura. Ela implica dar crédito às comunidades que criaram essas expressões e apoiar iniciativas que valorizem suas origens.
É necessário questionar: quem se beneficia e quem é prejudicado quando elementos culturais são apropriados? A cultura negra não é uma tendência passageira ou um produto a ser consumido sem reflexão. É uma parte viva e essencial da identidade de milhões de pessoas ao redor do mundo, que merece ser tratada com dignidade e respeito.
Reconhecer a riqueza da cultura negra é também reconhecer as lutas e histórias que a moldaram. Mais do que evitar a apropriação, é preciso criar espaços para que pessoas negras sejam as protagonistas e donas de suas narrativas. Somente assim poderemos construir um mundo que celebre verdadeiramente a diversidade, com justiça e equidade.
DANIYYEL DE JESUS