Recentemente, Beyoncé fez história mais uma vez ao conquistar um espaço que, durante anos, lhe foi negado: uma vitória na categoria country do Grammy. Esse feito não é apenas uma conquista pessoal para ela, mas um marco na luta contra o racismo e o machismo na indústria musical.
Beyoncé sempre foi uma artista completa, com talento inquestionável, inovação e uma presença que transcende gerações. No entanto, mesmo com todo o seu sucesso, precisou provar – repetidamente – que merecia estar onde está. Sua incursão na música country enfrentou barreiras que não são impostas a artistas brancos. Durante muito tempo, o country foi considerado um gênero exclusivamente branco, ignorando as suas raízes afro-americanas. Beyoncé desafiou essa narrativa, insistiu e venceu.
O que essa conquista significa? Primeiro, resiliência e persistência. Beyoncé não aceitou as limitações impostas pelo sistema e continuou a lutar por seu espaço. Mas, além disso, é uma inspiração para outros artistas pretos, como eu, que também enfrentam dificuldades para serem reconhecidos em seus respectivos campos. Ela provou que, mesmo em um sistema excludente, é possível romper barreiras.
No entanto, essa vitória também nos leva a uma reflexão necessária: por que os artistas negros precisam lutar tanto para ocupar espaços que, para artistas brancos, são naturalmente concedidos? Por que Beyoncé, com toda a sua grandeza, teve que provar repetidamente seu valor enquanto outros ganham Grammys sem precisar se esforçar tanto? A resposta é clara: privilégio branco.
Em pleno século XXI, em 2025, ainda vemos o racismo estrutural operando dentro da indústria musical. O reconhecimento de artistas pretos vem com obstáculos que não deveriam existir. Precisamos continuar a questionar e a desconstruir esses privilégios para que, um dia, o talento seja o único critério necessário para que um artista seja celebrado – independentemente de sua cor ou gênero.
Beyoncé não venceu apenas um Grammy este ano. Ela abriu mais uma porta para todos nós. E que essa porta nunca mais se feche.
DANIYYEL DE JESUS