DANIYYEL DE JESUS

Um jovem apaixonado por Jesus Adorador e Activista de Saúde Mental.

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O Pós-Independência nos Países Africanos Colonizados por Portugal: Sonhos, Desilusões e Novas Formas de Opressão

A independência dos países africanos colonizados por Portugal – Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe – foi conquistada após duras lutas de libertação. No entanto, a liberdade política não significou necessariamente prosperidade social e econômica. O sonho de autodeterminação rapidamente se viu comprometido por governos instáveis, corrupção generalizada, guerras civis e a continuidade da exploração dos povos africanos, agora muitas vezes comandada por elites negras que reproduziram os mesmos mecanismos de opressão dos colonizadores.

Neste texto, analisamos a trajetória desses países após a independência, destacando como a esperança de um futuro melhor foi sufocada por governações defeituosas, práticas corruptas e novas formas de exploração.

1. Angola: Da Luta de Libertação à Guerra Civil e à Corrupção Sistêmica

Angola conquistou sua independência em 11 de novembro de 1975, mas o país mergulhou imediatamente em uma guerra civil que durou até 2002. O conflito entre o MPLA (partido governante) e a UNITA (liderada por Jonas Savimbi) foi intensamente influenciado pela Guerra Fria, com o MPLA recebendo apoio da União Soviética e Cuba, enquanto a UNITA era apoiada pelos Estados Unidos e pela África do Sul do apartheid.

O resultado foi um país devastado, com milhões de mortes, infraestrutura destruída e uma população traumatizada. Quando a guerra terminou, Angola deveria se reerguer, mas o que aconteceu foi o crescimento desenfreado da corrupção. O governo do MPLA, que se mantém no poder desde a independência, transformou Angola em um dos países mais desiguais do mundo, onde os recursos naturais – especialmente o petróleo e os diamantes – beneficiam uma pequena elite, enquanto a maioria da população vive na miséria.

A antiga luta contra o colonialismo português perdeu seu significado quando os novos governantes negros passaram a oprimir o próprio povo. A ostentação de riquezas por parte da elite angolana, enquanto milhões vivem sem saneamento básico e educação de qualidade, é um reflexo direto da traição aos ideais da libertação.

2. Moçambique: Do Socialismo Revolucionário à Oligarquia Corrupta

Moçambique tornou-se independente em 25 de junho de 1975, com a FRELIMO assumindo o governo sob a liderança de Samora Machel. Inicialmente, o país adotou um modelo socialista inspirado na União Soviética, nacionalizando empresas, promovendo campanhas de alfabetização e buscando reconstruir a identidade nacional.

No entanto, o sonho revolucionário foi logo sabotado por uma guerra civil brutal entre a FRELIMO e a RENAMO (grupo armado apoiado pelo regime do apartheid sul-africano). O conflito, que durou de 1977 a 1992, deixou o país em ruínas, com milhões de mortos e deslocados.

Com o fim da guerra, Moçambique abriu sua economia ao neoliberalismo, mas isso não significou melhorias para a população. O governo da FRELIMO permaneceu no poder até hoje, dominado por uma elite corrupta que enriquece às custas do povo. Os recursos naturais, como gás natural e carvão, são explorados por multinacionais e beneficiam apenas uma minoria.

A governança moçambicana tornou-se um reflexo do colonialismo disfarçado: a cor da pele dos opressores mudou, mas a exploração do povo continua.

3. Guiné-Bissau: Um País Refém da Corrupção e do Tráfico de Drogas

A Guiné-Bissau alcançou sua independência em 24 de setembro de 1973, antes mesmo da Revolução dos Cravos em Portugal. No entanto, a euforia da libertação rapidamente se transformou em caos político. O assassinato de Amílcar Cabral em 1973 já havia sido um golpe para o país, e após a independência, uma sequência interminável de golpes de Estado, instabilidade política e falta de desenvolvimento econômico condenaram a nação à miséria.

Hoje, Guiné-Bissau é um dos países mais pobres do mundo e um dos mais corruptos. Sem uma economia sustentável, tornou-se um importante ponto de tráfico de drogas entre a América Latina e a Europa. Os líderes do país, ao invés de lutarem pelo bem-estar da população, envolvem-se em esquemas criminosos que só aprofundam a crise.

A revolução que prometia liberdade tornou-se um pesadelo de traições políticas e exploração do próprio povo.

4. Cabo Verde: O Exemplo de Estabilidade, Mas com Desafios

Cabo Verde conseguiu uma transição mais estável após sua independência em 5 de julho de 1975. Diferente de seus vizinhos, o país não passou por guerras civis e manteve um sistema democrático funcional.

No entanto, embora seja um dos países africanos mais estáveis politicamente, Cabo Verde ainda enfrenta desafios econômicos. A falta de recursos naturais torna o país dependente do turismo e da ajuda externa, o que limita seu crescimento. Apesar disso, a corrupção não atinge níveis tão graves quanto em Angola e Moçambique, e o governo tem investido em educação e infraestrutura.

5. São Tomé e Príncipe: Entre a Esperança e a Estagnação

São Tomé e Príncipe conquistou sua independência em 12 de julho de 1975 e, assim como Cabo Verde, não sofreu com conflitos armados. No entanto, o país é economicamente frágil e dependente da ajuda internacional.

A corrupção é um problema persistente, e a falta de desenvolvimento sustentável mantém grande parte da população na pobreza. Muitos políticos, em vez de trabalharem para melhorar a vida dos santomenses, utilizam os recursos públicos para enriquecer.

O Novo Colonialismo: Negros que Oprimem Negros

Um dos aspectos mais tristes do pós-independência nos países africanos colonizados por Portugal é que muitos dos líderes que antes lutaram contra o domínio europeu se tornaram novos opressores. Os mesmos mecanismos de exploração usados pelos portugueses – apropriação de riquezas, repressão política, marginalização da população – foram replicados por elites negras que governam com mãos de ferro.

As revoluções foram sequestradas por interesses próprios, e o povo continua a sofrer. Em vez de uma verdadeira independência, muitas nações africanas continuam presas a ciclos de pobreza, corrupção e instabilidade política, enquanto uma pequena elite acumula riqueza.

Conclusão: Para Onde Caminha a África de Língua Portuguesa?

Os países africanos colonizados por Portugal demonstram que a independência política, por si só, não garante liberdade real para o povo. A colonização acabou oficialmente, mas o colonialismo econômico e mental persiste. A elite negra que assumiu o poder falhou em libertar seus povos da miséria e, em muitos casos, tornou-se uma versão moderna dos antigos colonizadores.

A verdadeira libertação só será possível quando os líderes africanos colocarem os interesses do povo acima de suas ambições pessoais e quando o próprio povo exigir mudanças reais. Sem essa transformação, a África continuará sendo um continente rico em recursos, mas empobrecido por sua própria classe dominante.

DANIYYEL DE JESUS

4 de Março de 2025
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