O Grammy 2025 trouxe um momento histórico e simbólico para a comunidade preta retinta com a vitória de Doechii. A sua conquista não é apenas um reconhecimento do seu talento, mas também um marco na luta pela representatividade das pessoas pretas de pele retinta, que historicamente foram marginalizadas, mesmo dentro dos próprios espaços de ascensão negra.
Durante muito tempo, observamos que as poucas pessoas negras que conseguiam alcançar destaque na indústria musical, na moda, no cinema ou em outros setores de grande visibilidade eram, em sua maioria, de pele mais clara. O colorismo sempre foi uma barreira que ditava quais corpos negros eram mais aceitos, mais promovidos e mais valorizados pelo sistema. Pessoas pretas retintas, por outro lado, foram constantemente invisibilizadas, preteridas e tiveram que lutar muito mais para serem vistas e reconhecidas.
No entanto, nos últimos tempos, temos assistido a uma mudança gradual, mas significativa. A ascensão de artistas como Doechii, a consagração de figuras como Lupita Nyong’o no cinema, o impacto cultural de modelos como Nyakim Gatwech e Anok Yai, além da força de pensadores, acadêmicos e influenciadores negros retintos, mostram que estamos finalmente a ocupar os espaços que sempre nos pertenceram.
Esta mudança representa não apenas um avanço na indústria do entretenimento, mas uma transformação social profunda. O reconhecimento de pessoas pretas retintas na música, no audiovisual e em outros setores não é apenas sobre representatividade, mas sobre justiça histórica. É sobre corrigir um apagamento sistêmico e garantir que todas as nuances da negritude sejam celebradas e valorizadas.
O caminho ainda é longo, e a luta continua. Mas cada vitória como essa nos lembra que estamos a reescrever a narrativa, a criar novos padrões de beleza, de talento e de excelência, onde pessoas pretas retintas não precisam mais lutar para serem vistas – elas brilham e são reconhecidas por sua grandiosidade.
DANIYYEL DE JESUS
Recentemente, Beyoncé fez história mais uma vez ao conquistar um espaço que, durante anos, lhe foi negado: uma vitória na categoria country do Grammy. Esse feito não é apenas uma conquista pessoal para ela, mas um marco na luta contra o racismo e o machismo na indústria musical.
Beyoncé sempre foi uma artista completa, com talento inquestionável, inovação e uma presença que transcende gerações. No entanto, mesmo com todo o seu sucesso, precisou provar – repetidamente – que merecia estar onde está. Sua incursão na música country enfrentou barreiras que não são impostas a artistas brancos. Durante muito tempo, o country foi considerado um gênero exclusivamente branco, ignorando as suas raízes afro-americanas. Beyoncé desafiou essa narrativa, insistiu e venceu.
O que essa conquista significa? Primeiro, resiliência e persistência. Beyoncé não aceitou as limitações impostas pelo sistema e continuou a lutar por seu espaço. Mas, além disso, é uma inspiração para outros artistas pretos, como eu, que também enfrentam dificuldades para serem reconhecidos em seus respectivos campos. Ela provou que, mesmo em um sistema excludente, é possível romper barreiras.
No entanto, essa vitória também nos leva a uma reflexão necessária: por que os artistas negros precisam lutar tanto para ocupar espaços que, para artistas brancos, são naturalmente concedidos? Por que Beyoncé, com toda a sua grandeza, teve que provar repetidamente seu valor enquanto outros ganham Grammys sem precisar se esforçar tanto? A resposta é clara: privilégio branco.
Em pleno século XXI, em 2025, ainda vemos o racismo estrutural operando dentro da indústria musical. O reconhecimento de artistas pretos vem com obstáculos que não deveriam existir. Precisamos continuar a questionar e a desconstruir esses privilégios para que, um dia, o talento seja o único critério necessário para que um artista seja celebrado – independentemente de sua cor ou gênero.
Beyoncé não venceu apenas um Grammy este ano. Ela abriu mais uma porta para todos nós. E que essa porta nunca mais se feche.
DANIYYEL DE JESUS
A imigração é um fenômeno natural e parte da história da humanidade. Todos os povos, em algum momento, já foram imigrantes, e os portugueses não são exceção. Durante séculos, Portugal colonizou vários países africanos, como Moçambique, Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Hoje, muitos africanos desses mesmos países vêm para Portugal, mas ao contrário do que aconteceu no passado, são recebidos com preconceito e hostilidade.
Mas por que os africanos imigram para Portugal? A resposta está diretamente ligada ao colonialismo. Durante séculos, os colonizadores portugueses exploraram as riquezas desses países, deixaram suas economias dependentes de Portugal e impuseram sistemas de governação frágeis e corruptos. Quando a independência chegou, os países africanos herdaram governos instáveis, sem uma estrutura sólida para garantir o bem-estar da população. Isso resultou em economias fracas, falta de empregos, corrupção e dificuldades sociais que ainda hoje afetam milhões de africanos.
Enquanto isso, os portugueses continuam a emigrar para países como França, Suíça, Luxemburgo e Canadá em busca de melhores oportunidades, assim como os africanos fazem ao vir para Portugal. A imigração não é um privilégio europeu; é um direito humano. Se os portugueses podem buscar uma vida melhor em outros países, por que os africanos não podem fazer o mesmo em Portugal?
No passado, quando os portugueses foram para os países africanos, não foram tratados com hostilidade. Pelo contrário, estabeleceram-se, fizeram negócios e até prosperaram. Mas hoje, os africanos que vêm para Portugal enfrentam racismo e discriminação. Isso não é justo. A imigração é um ciclo natural da humanidade, e ninguém deveria ser tratado como estrangeiro em um mundo que sempre pertenceu a todos.
DANIYYEL DE JESUS
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