DANIYYEL DE JESUS

Um jovem apaixonado por Jesus Adorador e Activista de Saúde Mental.

2 Coríntios 5:17
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Reflexão sobre o filme “Wicked”: Uma metáfora para o racismo e a marginalização

Ao assistir Wicked, percebi que a história de Elphaba vai muito além de um conto de bruxaria e magia. É uma narrativa poderosa sobre preconceito, exclusão e manipulação da verdade. Desde o início, Elphaba é rejeitada por sua aparência – sua pele verde faz dela um alvo de discriminação, independentemente de sua inteligência, bondade e talentos. Isso me fez refletir sobre como a sociedade trata aqueles que são considerados “diferentes”, especialmente pessoas racializadas, que muitas vezes são julgadas antes mesmo de serem conhecidas.

O que mais me impactou foi perceber como o sistema em Oz funciona para transformar Elphaba na vilã da história. A elite do poder, representada pelo Mágico de Oz e Madame Morrible, distorce a narrativa para proteger seus próprios interesses, pintando Elphaba como uma ameaça. Esse processo me lembrou como, historicamente, pessoas pretas e outras minorias foram demonizadas, rotuladas como perigosas ou indignas, enquanto aqueles no poder usavam essa imagem para justificar a opressão.

Outro aspecto marcante foi a forma como os Animais falantes perdem seus direitos e sua voz, um paralelo claro ao apagamento cultural e à desumanização que tantas comunidades enfrentam no mundo real. O medo e o preconceito são utilizados para restringir direitos e silenciar aqueles que ousam se rebelar contra o sistema.

O filme nos faz questionar: quem decide quem é bom e quem é mau? Quem cria os vilões da sociedade? Wicked nos mostra que muitas vezes aqueles que são marginalizados não são os verdadeiros vilões – eles apenas se recusam a se submeter a uma estrutura injusta.

No fim, Wicked é um lembrete poderoso de que precisamos desconstruir os preconceitos que nos são impostos. O racismo continua a definir quem tem acesso a oportunidades e quem é excluído simplesmente por sua aparência. Assim como Elphaba, muitas pessoas lutam para serem vistas pelo que realmente são, enquanto a sociedade insiste em julgá-las por estereótipos. É hora de enxergar além da narrativa imposta e questionar quem realmente está por trás das histórias que nos contam.

DANIYYEL DE JESUS

31 de Janeiro de 2025
O sistema de saúde pública estremecido pelo Trump

A África tem sido historicamente retratada como um continente dependente de ajuda externa, especialmente no que se refere à saúde pública. Organizações internacionais e países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, têm investido bilhões de dólares em programas que visam combater doenças como HIV/SIDA, tuberculose e malária. Um dos principais financiadores desse sistema de saúde pública africano tem sido o PEPFAR (Plano de Emergência do Presidente dos EUA para Alívio da SIDA), um programa lançado em 2003 pelo governo dos EUA para combater a epidemia de HIV no mundo, especialmente na África.

No entanto, a administração do presidente Donald Trump decidiu cortar esse financiamento, deixando milhões de pessoas sem acesso a medicamentos e tratamentos essenciais. Essa decisão não apenas demonstra uma falta de comprometimento humanitário, mas também levanta uma questão fundamental: o apoio financeiro dos EUA à África sempre foi uma questão de caridade ou uma estratégia de interesse próprio?

A Relação de Exploração: Quem Depende de Quem?

A narrativa ocidental de que a África precisa constantemente de ajuda ignora um ponto essencial: os próprios países ocidentais dependem da África para manter suas economias funcionando.

A África é um dos continentes mais ricos em recursos naturais do mundo. Minérios essenciais para a tecnologia moderna, como o coltan (usado em smartphones e computadores), o cobalto(fundamental para baterias de veículos elétricos), além de petróleo, diamantes, ouro e muitos outros, são extraídos do solo africano e exportados para os países desenvolvidos.

Além disso, a mão de obra africana tem sido historicamente explorada pelo Ocidente, desde o tráfico transatlântico de escravizados, que construiu a infraestrutura de países como os EUA, até os trabalhadores imigrantes que hoje sustentam diversas indústrias nesses mesmos países.

Ou seja, os Estados Unidos e outras potências não financiam a África por pura bondade. Pelo contrário, eles lucram muito mais com a exploração dos recursos africanos do que investem em “ajuda” ao continente.

O Impacto dos Cortes de Financiamento

O PEPFAR, desde sua criação, ajudou a salvar milhões de vidas, fornecendo medicamentos antirretrovirais para pessoas com HIV/SIDA e promovendo campanhas de prevenção e tratamento. Com os cortes de financiamento, a realidade para muitos países africanos é alarmante:

Milhões de pessoas podem perder o acesso aos medicamentos para HIV, o que pode levar a um aumento significativo nas taxas de mortalidade.

Programas de prevenção e educação sobre HIV podem ser interrompidos, levando a um crescimento na disseminação do vírus.

O tratamento da tuberculose e de outras doenças também pode ser afetado, já que muitas dessas iniciativas são interligadas.

Os cortes não significam apenas uma crise sanitária — eles representam um retrocesso social e econômicopara muitos países que, com grande esforço, vinham conseguindo avanços na área da saúde.

A Hipocrisia do Ocidente

Os EUA e outros países desenvolvidos extraem riquezas da África, exploram sua mão de obra e mantêm relações comerciais vantajosas com o continente. No entanto, quando se trata de investir na saúde da população africana, essas mesmas potências rapidamente viram as costas. Isso mostra que o financiamento que a África recebe não é um favor, mas sim uma ferramenta de controle geopolítico. Quando convém, o Ocidente injeta dinheiro para manter sua influência no continente; quando não, corta os investimentos sem hesitação, deixando milhões de pessoas à mercê da própria sorte.

Essa situação evidencia uma grande incoerência: se os EUA e outros países desenvolvidos realmente precisam da África, por que tratam o continente com tanto descaso?

A Necessidade de uma Nova Postura Africana

Se há algo que essa crise deixa claro, é que a África não pode continuar dependendo de financiamentos externos para garantir o bem-estar de sua população. O continente tem riqueza suficiente para investir em sua própria saúde, educação e infraestrutura — o que falta é um modelo econômico que priorize o desenvolvimento interno, ao invés de continuar servindo aos interesses estrangeiros.

DANIYYEL DE JESUS

31 de Janeiro de 2025
O Peso da Pele: Os traços da minha negritude em Portugal

Eu precisei deixar o meu país (Moçambique) e vir para um lugar onde o racismo se faz sentir para compreender algo fundamental: o quão importante é enxergar a mim mesmo como uma pessoa normal. Parece contraditório, mas foi apenas ao me ver inserido em um ambiente onde a cor da minha pele é um fator determinante para o modo como sou tratado que percebi o quanto, durante muito tempo, eu mesmo me olhava com olhos de rejeição.

No início, foi difícil. O racismo ao meu redor não apenas me feriu, mas também me fez encarar a dura verdade de que, de certa forma, eu já me discriminava antes mesmo de sair de casa. Eu olhava para os meus traços e não os aceitava completamente. O meu tom de pele, retinto, que carrega a história dos meus ancestrais, parecia um fardo em vez de um orgulho. Eu me comparava, tentava me encaixar em padrões que não me representavam e, sem perceber, reproduzia a mentalidade que me inferiorizava.

Mas foi nesse choque de realidade, vivendo onde o preconceito se manifesta sem disfarces, que algo dentro de mim começou a mudar. Se as pessoas me enxergavam como diferente, por que eu mesmo não poderia transformar essa diferença em força? Se o mundo insistia em me lembrar que sou preto, por que eu não poderia carregar essa identidade com orgulho?

Olhar para mim com verdade foi um processo de reconstrução. Passei a ver beleza onde antes havia dúvida. Passei a entender que não há nada de errado em ser quem eu sou. Ser preto não é uma limitação, é uma identidade. É história, é cultura, é resistência, é potência.

Hoje, quando me olho no espelho, vejo mais do que uma cor. Vejo uma jornada. Vejo uma homem que aprendeu a se amar em meio à rejeição. Vejo alguém que não precisa da aceitação alheia para existir com plenitude. E acima de tudo, vejo que ser diferente não é um problema. É um privilégio.

DANIYYEL DE JESUS

31 de Janeiro de 2025

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