DANIYYEL DE JESUS

Um jovem apaixonado por Jesus Adorador e Activista de Saúde Mental.

2 Coríntios 5:17
Menu
Menu
Sobre minBlog
Redes sociais

MAIS

Sobre mim
O Congo: Um Legado de Dor e Luta Contra as Injustiças Históricas

O Congo, uma das nações mais ricas em recursos naturais da África, carrega consigo uma história de exploração, violência e resistência que é marcada pelo colonialismo brutal imposto pela Bélgica. A frase “O que acontece no Congo, é um reflexo do que o colonialismo fez à África” poderia ser uma forma de sintetizar o que muitos congoleses e estudiosos afirmam: o sofrimento prolongado do Congo é a consequência de séculos de exploração e desumanização, cujas reverberações ainda estão presentes.

O Congo foi uma das maiores vítimas da colonização europeia. Inicialmente sob o controle de Leopoldo II da Bélgica, o país foi transformado em uma gigantesca plantação de exploração, onde milhões de congoleses foram forçados a trabalhar em condições desumanas, principalmente na extração de borracha, minério e outras riquezas naturais. O monarca belga usou a terra congolesa como uma propriedade pessoal, e não como uma colônia dentro do Império Belga. Durante o seu governo, os congoleses sofreram abusos terríveis, com torturas, mutilações e massacres sendo comuns. Estima-se que, entre 1885 e 1908, cerca de 10 milhões de congoleses foram mortos devido ao regime brutal imposto por Leopoldo II.

Após a pressão internacional, a Bélgica formalizou a posse do Congo em 1908, e a exploração continuou, embora o controle se tornasse um pouco mais institucionalizado. No entanto, a presença belga nunca foi de desenvolvimento ou prosperidade para os congoleses. Em vez disso, o país foi usado como um fornecedor contínuo de recursos, enquanto a população local era mantida à margem do progresso econômico, social e político. A segregação racial e a brutalidade policial marcaram a sociedade colonial.

A independência do Congo, em 1960, não significou liberdade ou estabilidade. Na verdade, a Bélgica, de forma irresponsável e egoísta, deixou o Congo à deriva, sem preparar adequadamente a população para a autossuficiência política e administrativa. Isso resultou em uma transição tumultuada, com conflitos internos e a exploração de potências estrangeiras que continuaram a interferir nos assuntos internos do país.

A instabilidade política do Congo nas décadas seguintes também foi alimentada por potências ocidentais que viam o país como uma peça importante na Guerra Fria. A intervenção no Congo, seja durante a tentativa de assassinato do líder Patrice Lumumba, seja por meio do apoio a regimes militares e autoritários, reflete um padrão de exploração continuada das riquezas congolesas.

Hoje, o Congo continua a sofrer os efeitos do colonialismo belga, agora exacerbados por uma luta interna de poder, intervenção estrangeira e a exploração de seus vastos recursos naturais. Minerais preciosos, como o coltan e o ouro, continuam a ser extraídos sob condições de trabalho insustentáveis, muitas vezes à custa da vida e do bem-estar das populações locais. Conflitos armados, grupos insurgentes e abusos contra os direitos humanos continuam a ser uma realidade diária para muitos congoleses, enquanto potências estrangeiras e corporações transnacionais continuam a lucrar com a extração desses recursos.

A verdadeira tragédia do Congo não está apenas no sofrimento histórico que seus povos enfrentaram, mas na maneira como esse sofrimento continua, de várias formas, a ser perpetuado. Embora a independência política tenha sido conquistada há mais de seis décadas, a independência real, social e econômica ainda está muito distante.

Reflexão

O que o Congo nos ensina é o impacto duradouro do colonialismo. Não é apenas uma história de vítimas passivas, mas uma história de resistência, de um povo que tem resistido, mesmo em face de toda a adversidade. O que vemos no Congo hoje, infelizmente, é um reflexo de como o colonialismo desestruturou um país de forma profunda. As potências coloniais, ao saírem, deixaram para trás um rastro de destruição, divisão e exploração que foi perpetuado até os dias de hoje.

Devemos refletir sobre isso, não só como uma lição de história, mas como um chamado para ação. Como a comunidade global, e mais especificamente as potências que foram responsáveis pela colonização do Congo, podemos colaborar para que a justiça seja feita? Como podemos, de forma prática e eficaz, ajudar a curar as feridas que continuam a sangrar no Congo? O primeiro passo é reconhecer esse sofrimento, e não permitir que ele seja ignorado. O Congo não deve ser visto apenas como uma terra rica em recursos, mas como um povo que merece prosperar, não por meio da exploração, mas da verdadeira justiça e apoio.

O Congo carrega um legado de sofrimento que exige ser abordado com empatia e ação concreta. Que possamos, coletivamente, não esquecer a dor do passado e trabalhar para garantir que o Congo, e outras nações africanas, possam finalmente ter a liberdade e a oportunidade que merecem.

DANIYYEL DE JESUS

21 de Março de 2025
“Ser afro-americano é ser africano sem nenhuma memória e americano sem nenhum privilégio.”

(James Baldwin)

A frase de James Baldwin é uma sentença carregada de dor, mas também de uma verdade inegável. Ela sintetiza a condição paradoxal do afro-americano e, por extensão, de muitos negros na diáspora: arrancados de sua terra natal, privados de sua história e, ao mesmo tempo, negados como cidadãos plenos nos países onde nasceram. Essa realidade não é apenas um resquício do passado, mas uma cicatriz aberta que continua a moldar as vidas de milhões de pessoas.

O apagamento da memória africana: um projeto intencional

A escravidão transatlântica não foi apenas uma exploração econômica brutal; foi um sistema minuciosamente planejado para desumanizar e desarraigar os negros. A violência não estava apenas nos chicotes, mas na erradicação sistemática da identidade africana.

Ao chegarem às Américas, os africanos eram despidos de tudo o que os conectava à sua terra: seus nomes eram trocados por nomes europeus, suas línguas eram proibidas, suas religiões eram demonizadas e suas culturas reprimidas. Não era suficiente escravizar os corpos; era necessário também escravizar as mentes, garantindo que os africanos e seus descendentes nunca pudessem reivindicar sua própria história.

Esse apagamento não acabou com o fim da escravidão. Ele se perpetuou na forma da narrativa histórica distorcida, que ensinou gerações de afro-americanos que sua história começou com a escravidão e que nada antes disso importava. Ele também se manifestou na forma de exclusão dos negros das instituições de poder, da academia e da produção do conhecimento. O resultado disso é um vazio geracional que ecoa até hoje: enquanto descendentes de europeus nos Estados Unidos conseguem traçar suas origens até aldeias específicas na Itália, Alemanha ou Irlanda, muitos afro-americanos sequer sabem de qual país seus ancestrais vieram.

Esse desenraizamento teve consequências profundas. Como se constrói uma identidade quando se tem apenas fragmentos de um passado negado? Como se sente pertencimento a um país que, historicamente, nega a sua humanidade?

A cidadania americana: um privilégio negado

Se a negritude nos EUA foi construída sobre um apagamento histórico, ela também foi marcada por uma constante negação da cidadania plena. O “americanismo” nunca foi verdadeiramente acessível aos negros, mesmo depois da abolição da escravidão.

A 13ª Emenda da Constituição dos EUA, que supostamente aboliu a escravidão, traz uma exceção perigosa: ela permite o trabalho forçado como punição para crimes. Essa brecha legal foi imediatamente explorada pelo sistema carcerário, que transformou prisões em verdadeiras plantações modernas, onde negros eram presos por acusações frágeis e forçados a trabalhar gratuitamente. Essa estratégia garantiu que, mesmo “livres”, os negros permanecessem economicamente exploráveis e politicamente marginalizados.

O século XX trouxe a segregação racial, o racismo estrutural e a brutalidade policial, provando que o acesso à “cidadania americana” sempre foi uma ilusão para os negros. Mesmo após a conquista dos direitos civis nos anos 1960, a disparidade econômica, educacional e social continuou. A presença negra na política, no mercado de trabalho e na mídia ainda é minoritária e, quando ocorre, muitas vezes vem acompanhada de uma vigilância intensa e de tentativas de silenciamento.

O encarceramento em massa, a brutalidade policial e a desigualdade de oportunidades são apenas formas modernas de um mesmo problema: o privilégio de ser americano nunca foi estendido aos afro-americanos.

A luta por identidade e pertencimento

Diante dessa exclusão dupla – sem memória africana e sem privilégio americano – os afro-americanos precisaram construir sua identidade a partir da resistência. Movimentos como o Black is Beautiful, o Pan-Africanismo, e mais recentemente, o Black Lives Matter, são formas de retomar o que foi roubado: a história, a dignidade e a voz.

Muitos afro-americanos tentaram resgatar suas raízes africanas, seja através da arte, da música ou da espiritualidade. A adoção de nomes africanos, o interesse crescente pela genealogia e as conexões feitas com países do continente são tentativas de reconstruir a ponte que a escravidão tentou destruir. No entanto, essa reconexão não é fácil. Para muitos, a África é um conceito distante, romantizado e desconhecido. E para muitos africanos, os afro-americanos são vistos como “estrangeiros”, fruto da distância imposta pelo colonialismo.

Ao mesmo tempo, a luta contra o racismo dentro dos EUA continua. O Black Lives Matter expôs ao mundo que a violência contra os negros não é um resquício do passado, mas uma realidade presente. A luta por equidade e reparação histórica não é um pedido de favor, mas um direito que tem sido sistematicamente negado.

O significado da frase de James Baldwin hoje

A frase de Baldwin não é apenas uma constatação do passado, mas um alerta para o presente. Ainda hoje, a negritude na diáspora enfrenta esse duplo apagamento: a desconexão com o passado e a rejeição no presente.

Ser afro-americano – e, de forma mais ampla, ser negro na diáspora – significa lutar contra essa fragmentação da identidade todos os dias. Significa carregar o peso de um passado que não pode ser plenamente acessado e, ao mesmo tempo, enfrentar um presente que nega oportunidades e direitos básicos.

A questão central dessa reflexão não é apenas apontar as injustiças, mas também perguntar: como romper esse ciclo? Como reescrever a história que tentaram apagar?

A resposta talvez esteja na continuidade da resistência. Na afirmação do orgulho negro. No resgate das narrativas esquecidas. Na recusa em aceitar um sistema que nos vê como estrangeiros em nossa própria pele.

Se Baldwin nos deixou essa frase, é porque sabia que o futuro dependeria da nossa capacidade de reivindicar aquilo que nos foi negado. E essa luta, ainda hoje, está longe de acabar.

DANIYYEL DE JESUS

20 de Março de 2025
O Apartheid Acabou? Só no Papel! Violência, Usurpação de Terras e a Falsa Liberdade na África do Sul

A África do Sul é um país marcado por um dos regimes mais brutais de segregação racial da história moderna: o Apartheid. Oficialmente instaurado em 1948 e derrubado em 1994, esse sistema não apenas institucionalizou a violência contra a população negra, mas também serviu como uma máquina de expropriação, retirando terras, recursos e direitos dos sul-africanos pretos. Mas a questão que precisa ser feita é: o Apartheid realmente acabou?

Se olharmos além dos discursos políticos e analisarmos as condições econômicas, a posse de terras e a violência policial no país, perceberemos que o poder colonialista nunca foi totalmente desmantelado. O controle das terras mais férteis e lucrativas permanece com a minoria branca, enquanto a população negra ainda sofre com pobreza extrema, violência estrutural e um sistema econômico que continua a favorecer os antigos opressores. E, no centro dessa luta, a figura de Nelson Mandela se ergue como um símbolo de resistência, mas também como um líder cujas concessões ao poder branco geram críticas até hoje.

A TERRA COMO ARMA DE OPRESSÃO: O APARTHEID FOI ALÉM DA SEGREGAÇÃO RACIAL

Desde a chegada dos primeiros colonizadores holandeses em 1652, a posse da terra sempre foi um dos principais meios de dominação na África do Sul. O território foi progressivamente tomado dos povos nativos através de violência, tratados fraudulentos e legislação racista. No século XX, o Apartheid institucionalizou essa expropriação, consolidando o poder econômico da minoria branca.

As principais leis que garantiram essa dominação foram:

Natives Land Act (1913): Proibia os negros de possuírem ou arrendarem terras fora das áreas designadas, que representavam apenas 7% do território nacional.

Group Areas Act (1950): Forçou a remoção de milhares de famílias negras de áreas urbanas economicamente estratégicas, deslocando-as para periferias sem infraestrutura.

Bantustões: Criaram “territórios autônomos” para negros, que na realidade eram reservas de pobreza, sem recursos naturais ou acesso a empregos.

O resultado? Em 1994, quando Nelson Mandela assumiu a presidência, menos de 15% das terras agrícolas estavam nas mãos de negros, que representavam 80% da população.

A ILUSÃO DA LIBERTAÇÃO: NELSON MANDELA E AS NEGOCIAÇÕES COM O PODER BRANCO

Nelson Mandela é reverenciado mundialmente como o homem que derrotou o Apartheid. No entanto, seu legado é complexo e controverso. Durante as negociações para o fim do regime, o governo do Partido Nacional (PN), dominado pelos brancos, impôs uma série de condições para garantir que a estrutura econômica do país permanecesse intacta.

Entre as concessões mais criticadas feitas pelo Congresso Nacional Africano (ANC) de Mandela estão:

Manutenção da propriedade privada das terras expropriadas: A redistribuição de terras foi convertida em um programa de “compra voluntária”, o que significava que os fazendeiros brancos seriam pagos para devolver terras que foram roubadas por seus ancestrais.

Adoção de um modelo neoliberal: O novo governo negro não implementou uma reforma agrária radical, mantendo a economia sul-africana dominada pelo setor privado, que já era controlado pelos brancos.

Mandela optou por uma transição pacífica, acreditando que a reconciliação seria o caminho mais eficaz para a construção de um novo país. Mas essa escolha significou que os pilares do Apartheid econômico permaneceram inalterados.

Hoje, muitos ativistas sul-africanos afirmam que, embora Mandela tenha sido essencial para o fim das leis racistas, ele não conseguiu garantir a verdadeira independência econômica para os negros sul-africanos.

VIOLÊNCIA POLICIAL E RACISMO ESTRUTURAL: O NOVO APARTHEID

Um dos traços mais marcantes do Apartheid foi o uso da violência policial como ferramenta de repressão. Manifestações contra o governo eram reprimidas com brutalidade, e a polícia funcionava como um exército privado do regime branco.

Mas se o Apartheid acabou, por que a violência policial contra negros continua tão intensa na África do Sul?

Após 1994, o governo democrático não desmantelou a estrutura da polícia sul-africana. O mesmo aparato repressivo que servia aos colonizadores continuou operando com as mesmas práticas brutais, só que agora sob um governo negro. O massacre de Marikana, em 2012, é um exemplo claro disso. Nesse episódio, 34 mineiros negros foram assassinados pela polícia enquanto protestavam por melhores condições de trabalho em uma mina de platina controlada por corporações brancas.

Além disso, a desigualdade social extrema cria um ambiente de criminalidade elevada, o que dá justificativa para que a polícia continue a tratar a população negra como inimiga do Estado, exatamente como fazia no período do Apartheid.

ORANIA: O REFÚGIO DO APARTHEID QUE AINDA EXISTE

Se alguém duvida que o Apartheid ainda persiste, basta olhar para Orania, uma cidade localizada na província do Cabo Setentrional. Criada em 1991, essa comunidade só permite a presença de brancos e mantém sua própria moeda (o “Ora”).

Os habitantes de Orania afirmam que a cidade é um exemplo de “autossuficiência” afrikaner, mas, na prática, é um enclave racista onde a segregação ainda ocorre de forma explícita. Enquanto Orania prospera com recursos e terras férteis, comunidades negras ao redor continuam presas na pobreza extrema.

O governo sul-africano nunca tomou medidas concretas para acabar com Orania, mostrando como o país ainda tolera resquícios do Apartheid.

A LUTA PELA REPARAÇÃO: A REDISTRIBUIÇÃO DE TERRAS COMO SOLUÇÃO?

Desde 2018, o governo sul-africano debate a expropriação de terras sem compensação, ou seja, a devolução das terras roubadas sem indenizar os descendentes de colonizadores.

A proposta gerou forte resistência da elite branca e da comunidade internacional. Governos ocidentais, como os Estados Unidos e o Reino Unido, ameaçaram cortar investimentos na África do Sul, usando o medo de um “colapso econômico” como justificativa para manter o status quo.

O exemplo do Zimbábue, onde uma redistribuição de terras mal planejada levou ao colapso da economia, é frequentemente citado como argumento contra a expropriação. Mas o que muitas vezes se ignora é que sem justiça fundiária, a África do Sul nunca será verdadeiramente livre.

CONCLUSÃO: O APARTHEID FOI UMA ESTRATÉGIA, NÃO UM SIMPLES REGIME

O Apartheid não foi apenas um sistema político segregacionista; ele foi um projeto de dominação econômica que continua a beneficiar os descendentes dos colonizadores até hoje.

A África do Sul pode ter um governo negro, mas o verdadeiro poder econômico ainda está concentrado nas mãos da elite branca. As terras ainda pertencem a quem as roubou.

A luta da população negra sul-africana agora não é apenas por direitos civis, mas por justiça econômica e reparação histórica. E essa luta não se limita à África do Sul – ela reflete um problema global de neocolonialismo, racismo estrutural e exploração contínua da África.

Se o mundo realmente quer justiça, não basta dizer que o Apartheid acabou – é preciso garantir que ele não continue existindo na prática.

DANIYYEL DE JESUS

19 de Março de 2025

Fim do Blog

Não há mais conteúdo para carregar

hello world!
linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram