Portugal enfrenta um dilema silencioso: enquanto a população envelhece e a taxa de natalidade continua em declínio, o sistema de Segurança Social depende cada vez mais das contribuições dos imigrantes. Sim, aqueles que muitas vezes são alvo de discursos negativos e políticas restritivas são, na verdade, os que estão a garantir que reformas sejam pagas e serviços públicos continuem a funcionar.
Mas será que Portugal está pronto para reconhecer esta realidade? Será que aqueles que se queixam da presença de estrangeiros no mercado de trabalho percebem que, sem eles, o país estaria à beira de um colapso social e económico?
A verdade é simples: sem a força de trabalho e as contribuições dos imigrantes, a Segurança Social entraria em falência mais cedo do que muitos imaginam. No entanto, em vez de facilitar a sua integração e garantir-lhes direitos justos, Portugal ainda insiste em criar barreiras burocráticas, dificultar processos de legalização e alimentar uma narrativa de “nós contra eles”.
Até quando vamos ignorar o óbvio? Até quando o país vai depender dos imigrantes sem lhes dar o devido reconhecimento? E mais importante: será que estamos prontos?
DANIYYEL DE JESUS