DANIYYEL DE JESUS

Um jovem apaixonado por Jesus Adorador e Activista de Saúde Mental.

2 Coríntios 5:17
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Reconhecimento de Problemas Estruturais: O Racismo como Desafio Persistente

O racismo é, sem dúvida, um dos problemas mais persistentes e enraizados na sociedade contemporânea, apesar dos avanços sociais, legais e políticos conquistados ao longo das últimas décadas. Embora muitas pessoas reconheçam o racismo em seus aspectos mais óbvios – como a violência policial contra pessoas negras ou as discriminações explícitas no cotidiano –, a realidade é que ele vai muito além dessas manifestações visíveis. O racismo estrutural é uma força poderosa, invisível para muitos, mas que impacta de maneira direta a vida de milhões de pessoas, principalmente no que diz respeito ao acesso à educação, saúde, emprego, e justiça social.

O racismo não é apenas um conjunto de atitudes preconceituosas de indivíduos. Ele é uma construção histórica e social que se reflete em normas, sistemas e práticas de instituições que, muitas vezes, operam de maneira não intencional, mas ainda assim perpetuam desigualdades. Este tipo de racismo está integrado nas estruturas políticas, econômicas e sociais de nossas sociedades, sendo, portanto, mais difícil de combater, uma vez que não se trata de atitudes individuais, mas de práticas sistêmicas que são reproduzidas e naturalizadas ao longo do tempo.

Especialistas e autoridades têm alertado repetidamente que a luta contra o racismo exige uma abordagem multifacetada, que passe por diversas áreas, desde a educação até a reforma das instituições. No entanto, a resposta institucional continua aquém das necessidades reais da população negra, e a mudança parece ser lenta e muitas vezes superficial. As políticas afirmativas, como cotas raciais, por exemplo, são importantes, mas não podem ser vistas como a solução definitiva para o racismo estrutural. Elas são, na verdade, uma medida emergencial frente a um problema muito maior, que é o acesso desigual a oportunidades e direitos, alimentado por séculos de exclusão e marginalização.

Em muitos contextos, o racismo estrutural é disfarçado por uma falsa meritocracia, onde se diz que todos têm as mesmas oportunidades de alcançar o sucesso, quando, na realidade, as condições de partida para as pessoas negras são extremamente desiguais. O acesso à educação de qualidade, por exemplo, é fortemente influenciado por questões raciais. Escolas em bairros majoritariamente negros, muitas vezes, enfrentam falta de recursos, infraestrutura precária e violência, enquanto as escolas em bairros de classe média e alta, predominantemente brancas, oferecem um ensino superiormente qualificado. Esse tipo de desigualdade é reproduzido ao longo da vida, afetando as chances de emprego e a ascensão social.

Além disso, o sistema de justiça continua a ser um reflexo claro do racismo estrutural. Dados de várias pesquisas indicam que as pessoas negras, especialmente homens, são mais propensas a ser alvo de abordagens policiais, a serem presas e a receberem penas mais severas, mesmo quando cometem crimes semelhantes aos de pessoas brancas. A ideia de que a polícia age “em legítima defesa” contra um “inimigo potencial” é uma visão que recai predominantemente sobre pessoas negras, sendo alimentada por estereótipos preconceituosos que associam a negritude à criminalidade.

No entanto, o racismo estrutural não se limita ao campo da justiça ou da educação. Ele se infiltra no mercado de trabalho, nos meios de comunicação, nas políticas de saúde, nas artes e na cultura. Pessoas negras têm menos acesso a empregos bem remunerados e, quando ocupam esses cargos, frequentemente enfrentam barreiras invisíveis, como a falta de reconhecimento, a subvalorização de seu trabalho e a constante necessidade de provar sua competência. Mesmo em campos criativos, como a música ou as artes, o talento negro muitas vezes é descreditado ou estigmatizado.

A resposta a esse cenário exige mais do que declarações de boas intenções ou políticas superficiais. Exige uma reestruturação profunda das instituições, uma reforma que envolva a revisão dos sistemas educacional, jurídico e de saúde, entre outros, para eliminar as desigualdades raciais embutidas nesses sistemas. Exige, também, um esforço contínuo da sociedade em reconhecer os próprios preconceitos, questionando normas e práticas cotidianas que favorecem a branquitude e marginalizam as pessoas negras.

O racismo estrutural é um desafio complexo, que requer a ação coletiva de governos, especialistas, educadores, organizações da sociedade civil e da própria população. Combater o racismo exige mais do que a simples erradicação de atitudes explícitas. Exige a transformação de um sistema que, por séculos, tem operado para beneficiar alguns enquanto oprime outros. Só assim seremos capazes de avançar rumo a uma sociedade mais justa e verdadeiramente igualitária.

DANIYYEL DE JESUS

21 de Fevereiro de 2025
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