Nos últimos anos, o governo de Donald Trump tem se caracterizado por uma série de ações e decisões que não só ignoram, mas também ativamente tentam desmantelar muitas das conquistas de direitos civis feitas por negros, mulheres, pessoas LGBT e outras minorias ao longo das últimas décadas. Um dos aspectos mais preocupantes dessa agenda tem sido a tentativa de reverter ou minimizar o significado de datas comemorativas que celebram a luta pela liberdade, igualdade e dignidade humana.
A Retirada de Datas Comemorativas e Reconhecimento
Entre as ações mais controversas do governo Trump, uma delas foi a tentativa de deslegitimar e diminuir a importância de datas comemorativas que prestam homenagem à luta e à resistência dos povos negros e das comunidades LGBT, como o Dia da Consciência Negra e o Mês do Orgulho LGBT. O governo Trump, em diversas ocasiões, expressou desinteresse ou até hostilidade a essas datas, vendo-as, em sua visão estreita, como divisórias ao invés de celebrações da diversidade e da resistência contra opressões históricas.
O Dia da Consciência Negra, por exemplo, foi sendo progressivamente menos enfatizado sob o governo de Trump. Este dia, que serve para lembrar a luta das pessoas negras contra a escravidão, a segregação e o racismo sistêmico, é fundamental para o reconhecimento da história negra e para a construção de um futuro mais justo. Ao minimizá-lo, o governo contribui para a invisibilização da luta histórica que as comunidades negras enfrentaram e ainda enfrentam, uma tentativa de apagar as narrativas que questionam a supremacia branca e a opressão racial.
De forma semelhante, o Mês do Orgulho LGBT, que celebra as vitórias da comunidade LGBT em sua luta por direitos iguais, também foi alvo de uma abordagem mais desdenhosa por parte de Trump e de sua administração. As políticas que visam restringir os direitos LGBT, como a tentativa de banir pessoas transgêneras do exército ou de reverter proteções legais contra a discriminação no trabalho e na saúde, refletem uma visão de mundo onde a luta por direitos civis não é apenas ignorada, mas ativamente enfraquecida.
A Permanência de Datas que Prestigiam Opositores da Liberdade
Em contraste, durante o mesmo período, o governo Trump também manteve, e até intensificou, a celebração de datas que exaltam figuras históricas que representam diretamente o oposto do progresso social e dos direitos humanos. Por exemplo, a Dia de Colombo continua sendo comemorado em muitos estados, uma data que glorifica Cristóvão Colombo, o navegador que iniciou um processo de colonização e genocídio de povos indígenas nas Américas. A celebração dessa data, em um contexto moderno, ignora as atrocidades cometidas contra os povos nativos, perpetuando uma narrativa colonizadora que favorece os opressores enquanto marginaliza as vítimas dessas opressões.
Além disso, figuras como Robert E. Lee, o general confederado do Sul durante a Guerra Civil Americana, ainda são amplamente reverenciadas em certos círculos nos Estados Unidos, e algumas datas e estátuas que celebram sua liderança permanecem em locais públicos. Essas figuras, associadas ao regime de segregação e à defesa da escravidão, são exaltadas como heróis por aqueles que se opõem à igualdade racial e ao reconhecimento da história negra e indígena.
Reflexão: O Impacto de Apagar as Narrativas de Resistência
A retirada de datas comemorativas que exaltam as conquistas dos negros e das comunidades LGBT, em favor de datas que celebram os opressores, é um reflexo claro de uma agenda política que busca manter o status quo da supremacia branca e da discriminação. Ao deslegitimar essas datas, o governo Trump não apenas apaga histórias de resistência e resistência histórica, mas também envia uma mensagem de que o reconhecimento dos direitos humanos de minorias não tem importância. Esse apagamento simbólico é muitas vezes o primeiro passo para uma erosão mais profunda dos direitos civis conquistados com tanto esforço.
Além disso, ao manter datas que celebram figuras colonizadoras e opressoras, como Colombo e Lee, o governo reforça uma visão distorcida da história, onde os opressores são apresentados como heróis. Isso perpetua um ciclo de ignorância histórica, onde os feitos dos opressores são celebrados enquanto as conquistas das vítimas da opressão são minimizadas ou ignoradas. Esse tipo de revisionismo histórico não apenas prejudica a memória coletiva, mas também impede o avanço real em direção a uma sociedade mais justa e inclusiva.
Conclusão: A Luta Pela Igualdade Continua
Em última instância, a tentativa de apagar datas comemorativas e figuras históricas que celebram a luta pelos direitos humanos das comunidades negras e LGBT é um lembrete de que a luta pela igualdade continua. Embora haja tentativas de deslegitimar esses avanços e de manter figuras históricas que representam a opressão, é essencial que continuemos a destacar a importância dessas datas, a celebrar nossas vitórias e a educar as novas gerações sobre o verdadeiro custo da liberdade e da igualdade.
A luta por justiça e direitos humanos não é algo que pode ser apagado ou esquecido, e é nossa responsabilidade garantir que as histórias de resistência e os movimentos que conquistaram vitórias para as minorias não sejam minimizados ou apagados. Somente com a preservação dessas memórias e com a celebração das vitórias das comunidades marginalizadas, é que poderemos realmente avançar para um futuro mais igualitário e justo.
DANIYYEL DE JESUS