Ao assistir Wicked, percebi que a história de Elphaba vai muito além de um conto de bruxaria e magia. É uma narrativa poderosa sobre preconceito, exclusão e manipulação da verdade. Desde o início, Elphaba é rejeitada por sua aparência – sua pele verde faz dela um alvo de discriminação, independentemente de sua inteligência, bondade e talentos. Isso me fez refletir sobre como a sociedade trata aqueles que são considerados “diferentes”, especialmente pessoas racializadas, que muitas vezes são julgadas antes mesmo de serem conhecidas.
O que mais me impactou foi perceber como o sistema em Oz funciona para transformar Elphaba na vilã da história. A elite do poder, representada pelo Mágico de Oz e Madame Morrible, distorce a narrativa para proteger seus próprios interesses, pintando Elphaba como uma ameaça. Esse processo me lembrou como, historicamente, pessoas pretas e outras minorias foram demonizadas, rotuladas como perigosas ou indignas, enquanto aqueles no poder usavam essa imagem para justificar a opressão.
Outro aspecto marcante foi a forma como os Animais falantes perdem seus direitos e sua voz, um paralelo claro ao apagamento cultural e à desumanização que tantas comunidades enfrentam no mundo real. O medo e o preconceito são utilizados para restringir direitos e silenciar aqueles que ousam se rebelar contra o sistema.
O filme nos faz questionar: quem decide quem é bom e quem é mau? Quem cria os vilões da sociedade? Wicked nos mostra que muitas vezes aqueles que são marginalizados não são os verdadeiros vilões – eles apenas se recusam a se submeter a uma estrutura injusta.
No fim, Wicked é um lembrete poderoso de que precisamos desconstruir os preconceitos que nos são impostos. O racismo continua a definir quem tem acesso a oportunidades e quem é excluído simplesmente por sua aparência. Assim como Elphaba, muitas pessoas lutam para serem vistas pelo que realmente são, enquanto a sociedade insiste em julgá-las por estereótipos. É hora de enxergar além da narrativa imposta e questionar quem realmente está por trás das histórias que nos contam.
DANIYYEL DE JESUS